terça-feira, 28 de junho de 2011

Fazer e estudar teatro


Eis que me encontro aqui na frente do PC tentando digitar as primeiras linhas do blog que acaba de ser criado e ainda não me vem muito o que escrever. Talvez por que a vontade maior é de gritar, mas como não é possível volto-me para o teclado e continuo uma reflexão de um fazer-estudar o teatro.
 A ideia teve início com a vontade de falar sobre um curso que as vezes parece não falar o tanto quanto poderia e em outras não é ouvido como deveria. Iniciado originalmente no formato de Tecnólogo em Artes Cênicas e alguns anos depois, em 2008, transformado em Licenciatura em Teatro, o curso tem, dentre algumas referências no Estado do Ceará, o mérito de ainda ser o único no Brasil dentro de um Instituto Federal. Escrever com minha visão de aluno é na verdade difícil como nosso ofício o é, mas não deixa de ser um desafio com a própria sinceridade que o ator (bailarino ou performer) precisa ter para alcançar seu objetivo como artista. Porém, mais do que querer fazer teatro nós precisamos também estudá-lo com a mesma fome e desempenho de qualquer outro curso, seja nas áreas das ciências exatas, biológicas ou naturais, mas que possui características bem particulares, pois aqui existe, e sempre vai existir, pessoas que já fazem teatro, estudando para se profissionalizarem cada vez mais e amadores que estão descobrindo realmente o que é fazer e estudar (e amar) o teatro, essa arte tão efêmera para quem observa e tão sacrificante para quem a faz.  Mas que, infelizmente nem sempre é valorizado como uma atividade de extrema influência no homem.
     O que pode ser confundido apenas como um luxo no meio de tantos cursos científicos, e tecnológicos  engana-se ao pensar que nossas disciplinas não tem nada de científico e tecnológico. Talvez não se harmonizem com o nome de disciplinas como “análise de circuitos, maquinas elétricas, matemática 4”, nada contra os nomes e as disciplinas, mas aqui nesse curso nós suamos a camisa literalmente e se não a suamos é porque não estamos utilizando corretamente o principal material científico que nos dá base para o aprendizado. Nosso suor já se reflete nos próprios nomes de algumas disciplinas: “improvisação, voz falada, canto, consciência corporal, signos da linguagem teatral, composição cênica”, dentre outras científicas e também pedagógicas, sim, por que o curso também é de licenciatura e há quem deseje e muito ensinar o que pesquisa. O que não há é dúvida sobre o que é científico, tecnológico ou educacional. Nesse curso, e nisso eu falo por mim, entramos para obter sim um conhecimento profissional, mas obter também a experiência da pesquisa científica, do corpo-em-vida na cena e descobrir as diversas técnicas já editadas e reeditadas em livros que buscam cada vez mais essa entrega efêmera com o público, descobrir o prazer da elaboração de pesquisas que produzam um enriquecimento do que já foi descoberto, do que já foi escrito, teorizado e vivido. E por que não, descobrir ainda mais sobre esse mundo de “por que não’s”. Mas descobrir o que todo homem necessita a cada dia: mais de si mesmo para viver melhor com o outro. Para mim essa é a melhor definição de nossa busca científica e teatral.
     O que ainda não é o ideal para um campo de pesquisas artísticas dentro de uma instituição federal não pode ser atribuído somente à organização (ou falta) dos governos. Há sim um conjunto de fatores que ainda freiam a evolução não somente das pesquisas, mas do próprio fazer teatral. Creio que muitos passos foram dados, outros ainda então engatinhando. Então, que fique registrado aqui a imensa vontade de crescer e reverberar todas as vozes de estudantes de teatro que desejam ser reconhecidos como profissionais que são.
     A minha vontade é que paremos de fazer teatro somente para nós mesmos e possamos sair das paredes da “casa de artes” e dos mudos do IFCE.

Nenhum comentário:

Postar um comentário